Amigos

Translate

quarta-feira, 13 de junho de 2012

DICA DE LIVRO: MENTES INQUIETAS


Quando pensamos em transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), não devemos raciocinar como se estivéssemos diante de um cérebro "defeituoso". Devemos, sim, olhar sob um foco diferenciado, pois, na verdade, o cérebro do TDAH apresenta um funcionamento bastante peculiar, que acaba por lhe trazer um comportamento típico, que pode ser responsável tanto por suas melhores características como por suas maiores angústias e desacertos vitais.

O comportamento do portador nasce do que se chama trio de base alterada. É a partir desse trio de sintomas - formado por alterações da atenção, da impulsividade e da velocidade da atividade física e mental - que se irá desvendar todo o universo TDA, que, muitas vezes, oscila entre o universo da plenitude criativa e o da exaustão de um cérebro que não para nunca.

Para um TDAH, manter-se concentrado em algo, por menor tempo que seja, pode ser um desafio tão grande como para um atleta de corrida com obstáculos que precisa transpor barreiras cada vez maiores até chegar ao fim da pista. Essa dificuldade em se manter concentrado em determinado assunto, pensamento, ação ou fala, muitas vezes, causa situações bastante desconfortáveis.

Exemplo disso é o fato de estar em sala de aula ou em uma reunião de trabalho e, de repente, desviar seus pensamentos para pequenas coisas como o horário do jogo de seu time no dia seguinte, a roupa que irá usar para ir ao cinema à noite ou mesmo se o carro está suficientemente limpo para dar carona ao chefe. Várias vezes, o TDAH é flagrado por seus colegas ou patrões nesses lapsos de atenção, acarretando desde pequenas a grandes discussões.

Este é um trecho do livro "Mentes Inquietas", da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva (Editora Napades, 224 páginas), que aborda, de forma leve e bem-humorada, tudo o que envolve esse transtorno. Recomendamos que você adquira o livro, mas se não tiver condições, pode lê-lo na íntegra clicando no link a seguir: http://pcangelo.files.wordpress.com/2008/04/mentesinquietas.pdf

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O PASSEIO DOS TIQUES PELO CORPO


A localização dos tiques de um paciente pode mudar, mas geralmente eles começam no rosto e no pescoço. Os tiques iniciais mais comuns são o piscar de olhos e os movimentos faciais. Com o tempo, os tiques tendem a se alastrar em uma progressão descendente.

A partir do rosto e do pescoço, os tics podem progredir para os braços e as mãos, e os pacientes podem encolher os ombros ou cerrar os punhos. Eles podem então avançar pelo corpo e pelas extremidades inferiores, possivelmente fazendo os pacientes pisarem mais firmemente ou andarem de forma peculiar.

Finalmente, os tiques podem progredir para os sistemas respiratório e alimentar ou digestivo, incluindo soluços, assovios, arrotos e limpeza frequente da garganta.

Os tiques podem mudar de frequência, local e gravidade e geralmente são precedidos por um impulso. Os pacientes descrevem esse impulso como uma tensão crescente liberada pelo tiques. Os pacientes podem suprimir seus tiques por um curto período, o que geralmente resulta em um tique posterior mais intenso.

Os tiques podem aumentar em momentos de estresse emocional ou quando o paciente vê alguém vê alguém fazendo um  movimento igual ao seu tique. Por exemplo, um paciente que sofre de um tique motor como fungar repetitivamente pode ser "acionado" ao ouvir alguém fungar. Os tiques podem diminuir em momentos de concentração intensa ou durante o sono.

Fonte: UOL

sexta-feira, 8 de junho de 2012

ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA NO TRATO DA TOURETTE


Estudos recentementes publicados falam sobre a Estimulação Magnética Transcraniana no tratamento da síndrome de Tourette. Um artigo publicado na Alemanha, por Zieman, relata 20 pacientes destros com transtorno de Tourette, comparados a 21 controles sadios destros, nivelados  pela faixa etária média.

Foi verificado o potencial exitatório do cortéx motor através da EMT como grande inibidor da resposta motora nos tiques dos pacientes com Síndrome de Tourrette.

As sessões foram feitas em alta intensidade (10Hz) na região motora cortical esquerda com 90% do limiar motor do paciente, com apoio de aparelho de eletromiografia de superfície (EMG) foi registrada a partir do músculo abdutor do dedo mínimo da direita o processo de inibição do movimento do tique distal. Pode-se comprovar a eficácia de inibição motora em 19 dos 20 pacientes com síndrome de Tourette.

Outro estudo publicado pelo The  International Journal of Neuropsychopharmacology mostra os efeitos da EMT em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo e síndrome de Tourette. Foram selecionados 35 pacientes com TOC e ST sem uso de medicação e outro grupo de 30 pacientes com tratamento convencional farmacológico e psicossocial, que não foram submetidos a sessões de EMT.

Para as sessões com a estimulação, determinou-se uma faixa de baixa frequência (1Hz) na área motora suplementar (SMA) com 10 sessões diárias a 100% do limiar motor do paciente, com 1200 estímulos/dia.

Percebeu-se que ocorreu uma ativação dos interneurônios inibitórios, durante os estímulos subliminares, no chamado fenômeno de "inibição neuronal". Isto foi mais acentuado entre pacientes com tiques complexos entre os que não se utilizavam de neurolépticos. Houve melhora significativa de 52% de diminuição dos sintomas dos compulsivos em 11 pacientes logo na primeira semana e 17 pacientes tiveram diminuição de 83% dos tiques na segunda semana.

A melhora dos sintomas foi correlacionada com um aumento significativo do limiar motor direito de descanso (área representativa motora no cérebro) e ficou estável em 3 meses de acompanhamento.

Os benefícios do tratamento com Estimulação Magnética Transcraniana na Tourette foram diminuição ou inibição dos tiques (por controle), melhora do sono, diminuição da hiperatividade cortical, melhora da atenção e memória para aprendizagem, controle da impulsividade, controle do quadro obsessivo-compulsivo.

Fonte: Clínica Higashi

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O PAPEL DOS NEUROTRANSMISSORES NA ST


Os neurônios não estão conectados diretamente uns aos outros. Entre eles, há um espaço microscópico chamado sinapse. Dessa forma, para que um neurônio se comunique com outro, utiliza-se de substâncias químicas chamadas de neurotransmissores.

Cada NT possui diferentes tipos de efeito no neurônio seguinte, desencadeando uma série de reações químicas que traduzem a "informação" a ser transmitida. Conheça a seguir os principais neurotransmissores relacionados à Tourette:

- Dopamina: é um NT sintetizado a partir da tirosina, um tipo de aminoácido. Em geral, está envolvida com o estado de alerta, com o "pique" e com a alegria. 

Doenças neurológicas e psiquiátricas podem ocorrer quando a atividade da dopamina está inadequada (excessiva ou reduzida), como ocorre na doença de Parkinson, na esquizofrenia, no transtorno bipolar, em alguns tipos de depressão e na ST.

Na Tourette, parece existir uma atividade aumentada da dopamina nos gãnglios da base. Assim, medicamentos e substâncias que aumentam a ação da dopamina podem piorar os tiques em quem os apresentava anteriormente, como anfetaminas, cocaína e derivados. Fármacos como haloperidol, que atua no bloqueio da ação da dopamina, são parcialmente eficazes em cerca de 80% dos casos de ST.

- Serotonina: é um neurotransmissor inibidor, mas, em alguns casos, pode ter ação excitatória. É capaz de reduzir a sensação de dor, melhorar o humor, diminuir o apetite, relaxar e até induzir e melhorar o sono. 

O funcionamento inadequado da transmissão via serotonina provavelmente está envolvido na maior parte dos casos de depressão, em transtornos de ansiedade e transtornos do sono. Um dos papéis desse NT é inibir a ação da dopamina. Portanto, a diminuição da atividade da serotonina nessa região pode contribuir para o agravamento da ST. Medicações que atuam nesse neurotransmissor podem colaborar para o tratamento da Tourette, mas dificilmente são eficazes quando utilizadas de forma isolada.

- Acetilcolina: é uma substância excitatória. Foi o primeiro NT identificado. Na ST, acredita-se que pode haver certa deficiência em sua atividade, mas essa hipótese carece, ainda, de maior investigação.

- Noradrenalina: proporciona energia e disposição e está diretamente relacionada às reações de enfrentar ou fugir de um problema que ameace a vida. Seu papel na ST tem sido amparado por estudos clínicos nos quais alguns pacientes parecem melhorar com o uso de fármacos que atuam sobre esse NT, como a clonidina e a guanfacina. Esses medicamentos podem inibir a ação da noradrenalina, que teria o papel de aumentar a atividade da dopamina, ou seja, tais fármacos conseguiriam reduzir a ação da dopamina indiretamente.

Fonte: Tiques, cacoetes, síndrome de Tourette, Ana Hounie e Eurípedes Miguel, org.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A ST E A ALIMENTAÇÃO


Existem poucos estudos científicos e muitos relatos de portadores de Tourette sobre a relação entre a alimentação e a síndrome de Tourette.

Segundo o livro "Tiques, Cacoetes, Síndrome de Tourette" (Ana Hounie e Eurípedes Miguel), existe um estudo alemão realizado em 2008, que avaliou a ação de 32 tipos de alimentos.

Alguns estão ligados à piora dos tiques, como bebidas com cafeína, à base de cola, café, chá-preto, chá-verde e chocolate. Ainda foram citados agentes conservantes, açúcar refinado e adoçantes.

O livro fala ainda em várias dietas, mas não deixa de ressaltar a importância do paciente observar qual alimento está relacionado (e se está) à alteração dos movimentos.

Observação nossa: será que o chimarrão (no qual somos "viciados") está incluído nesta lista? :-s

Fonte: Blog Nossas Vidas com Tourette

sexta-feira, 1 de junho de 2012

ENTREVISTA DE LILLY, MÃE DE UM TOURÉTTICO


Nossa amiga e parceira Lilly Meraz-Sierra, de Honduras, mãe de um garoto portador de Tourette, iniciou o trabalho de divulgação da síndrome em seu país, escrevendo o Blog de Lilly e não parou por aí. Recentemente, foi destaque em uma entrevista a uma emissora de TV local em que conta sua experiência com a ST. O vídeo é muito esclarecedor e motiva a todos nós a continuarmos com nossa missão de esclarecimento das pessoas acerca da síndrome.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

CONHEÇA LILLY E JORGE EDUARDO, DE HONDURAS


Confira a seguir o depoimento emocionado da hondurenha Lilly Meraz-Sierra, nossa parceira (ela edita o Blog de Lilly), sobre seu filho Jorge Eduardo, portador de Tourette:

"Soy mama de Jorge Eduardo de 10 años diagnosticado hace ya casi 1 año con Tourette. Pero para que pudiéramos llegar a ese diagnostico tuvieron que pasar aproximadamente 3 años, entre neurólogos, terapistas de lenguaje, sicólogos y muchos otros médicos que no nos podían dar una diagnostico certero.

A medida que pasaba el tiempo nuestra incertidumbre y tristeza crecía al no saber como ayudar a nuestro hijo. Durante este tiempo notábamos que se le hacia muy difícil concentrarse, empezó a emitir sonidos y movimientos. Pero en realidad no fue en eso en lo que nos enfocamos. Fue mas en su falta de concentración. Lastimosamente en nuestro país Honduras, la medicina no esta tan avanzada como en otros países y tuvimos que buscar médicos en Estados Unidos, encontrándonos con ángeles maravillosos en forma de médicos y terapistas, que nos pudieron dar un diagnostico que encajaba perfectamente con los síntomas que presentaba nuestro hijo.

Creo que uno como padre pasa por una etapa de negación, en el fondo no quería que mi hijo tuviera algo y mucho menos que tomara medicamento. Siempre estuve en contra de medicarlo, porque sentía que los médicos a veces solo recetan Ritalin porque es la pastilla mas conocida. Pero no dan ninguna explicación sobre como y en que casos es ideal darla.

Hasta que nos encontramos con este medico en Estados Unidos que nos explico en detalle lo que era cada pastilla y en que situaciones y para quien es conveniente. Que era de mas ayuda para nuestro hijo darle medicamento, que no darle.

Tuvimos que dejar estigmas y prejuicios a un lado. Pero para poder darle medicamento, tenia que ser con un medico en mi país, así que regresamos con diagnostico en mano a buscar a un medico que no estábamos seguros de encontrar.

Pero gracias a Dios encontramos una doctora a 4 horas de nuestra ciudad, que nos dio exactamente el mismo diagnostico que nos dio el medico en Estados Unidos. Ella también nos explico en detalle lo que tenia nuestro hijo y empezó a medicarlo primero con Neupax para la ansiedad y depresión que presentaba en ese momento y aproximadamente 2 meses después con Sttratera para el DDAH que presentaba también.

Al principio no quisimos contarle a nadie, temiendo el rechazo, al hacer esto, empeoro todo sobre todo en la escuela, su maestra no quiso complicarse, siendo demasiado severa al punto de dañar su autoestima y aislarlo. Al ella hacer esto, no solo lo aisló el resto de la clase sino que también el director de la escuela lo empezó a tildar de malcriado y consentido. Llegamos a la conclusión que teníamos 2 opciones solamente; o peleábamos o dábamos a conocer su diagnostico.

Escogimos lo segundo entendiendo que iba a ser de mas ayuda para Jorge Eduardo. Así que tuvimos una reunión con el director explicándole e informándole sobre lo que era el Tourette.

Y pidiéndole una reunión con los maestros para también darles a conocer el diagnostico, gracias a Dios estuvo muy receptivo y acepto, llevándose a cabo la charla con sus maestros. La mayoría nunca habían escuchado sobre este síndrome, otros habían escuchado sobre el, pero nunca habían visto a nadie. Pero sobretodo pudieron entender el porque de los movimientos y sonidos. Mucho a cambiado desde entonces, ahora es mas fácil para el, el día a día.

Pero falta mucho camino por recorrer todavía. Sigue siendo desconocido para muchos. Y es en eso en lo que nos queremos enfocar, para que este sea un mundo mas fácil para Jorge Eduardo, para que la gente sino entiende, al menos acepte.

Esto es solo el principio. El final? Ese solo lo sabremos si actuamos con diligencia!"

TOURETTE NO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BARRA MANSA, RJ

A estudante de Jornalismo Lara Gilly, do Centro Universitário de Barra Mansa (Rio de Janeiro), fez uma reportagem completa sobre a síndrome de Tourette. Os entrevistados foram o Auber, colaborador do Clic, e Daniela Torres, do blog Nossas Vidas com Tourette.

Além da entrevista, Auber gravou um áudio contando como foi sua vida com a ST.

Clique aqui para ver e ouvir a matéria sobre Tourette da universitária fluminense.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

TDAH É UMA DOENÇA INVENTADA?


Você certamente já leu ou ouviu em algum lugar que o TDAH “é uma doença inventada pelos laboratórios farmacêuticos” ou que é uma “medicalização” de comportamentos de indivíduos que são simplesmente diferentes dos demais. Então vamos aos fatos:

1) O que hoje chamamos de TDAH é descrito por médicos desde o século XVIII (Alexander Crichton, em 1798), muito antes de existir qualquer tratamento medicamentoso. Não existia sequer aspirina... No inicio do século XX, aparece um artigo científico publicado numa das mais respeitadas revistas médicas até hoje, The Lancet, escrita por George Still (1902). A descrição de Still é quase idêntica a dos modernos manuais de diagnóstico, como o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria. Se fosse uma doença “inventada” ou “mera conseqüência da vida moderna”, você acha que seria possível atravessar quase dois séculos com os mesmos sintomas?

2) Os sintomas que compõem o TDAH são observados em diferentes culturas: no Brasil, nos EUA, na Índia, na China, na Nova Zelândia, no Canadá, em Israel, na Inglaterra, na África do Sul, no Irã... Já chega? Pois se fosse meramente um comportamento secundário ao modo como as crianças são educadas, ou ao seu meio sociocultural, como é possível que a descrição seja praticamente a mesma nestes locais tão diferentes?

3) Se o TDAH fosse meramente “um jeito diferente de ser” e não um transtorno mental, por que os portadores, segundo os dados de pesquisas científicas, têm maior taxa de abandono escolar, reprovação, desemprego, divórcio e acidentes automobilísticos? Por que eles têm maior incidência de depressão, ansiedade e dependência de drogas?

4) Se o TDAH fosse “uma invenção da indústria farmacêutica”, você esperaria que a Organização Mundial de Saúde – órgão internacional máximo nas questões relativas à saúde pública sem qualquer vinculação com a indústria farmacêutica – listaria o transtorno como parte dos diagnósticos da Classificação Internacional das Doenças não só na sua última versão (CID-10) como nas anteriores (CID-8 e CID-9)? Pois é, ele está lá no capítulo dos transtornos mentais – vide o site http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm

5) Se o TDAH fosse secundário ao modo como os pais educam seus filhos, por que motivo as famílias biológicas de crianças com TDAH que foram adotadas têm prevalências (taxas) de TDAH bem maiores do que aquelas encontradas nas suas famílias adotivas? A única explicação possível: é um transtorno com forte participação genética.

6) Quantos artigos científicos você acha que já foram publicados demonstrando alterações no funcionamento cerebral de portadores de TDAH? Mais de 200 (você leu certo). Vale também lembrar que os achados mais recentes e contundentes são oriundos de centros de pesquisa como o National Institute of Mental Health dos EUA impossibilitados de qualquer contato com a indústria farmacêutica. O fato de não termos uma alteração cerebral que seja “marca registrada” do TDAH não invalida nem a sua base neurobiológica, muito menos a sua existência. Se fosse assim, não existiria a Esquizofrenia, o Autismo, a Depressão, o Transtorno de Humor Bipolar entre outros, já que nenhum desses tem uma alteração que seja “marca registrada” da doença.

E como você pode acreditar em todas estas informações descritas acima?

Muito fácil: estão em artigos científicos publicados em revistas sérias que exigem rigor científico e passam pelo crivo de vários profissionais antes de serem publicados. E todos estes artigos são públicos. (por exemplo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed)

E quanto aos conflitos de interesses de quem escreve artigos? Eles existem frequentemente e são de dois tipos. O primeiro deles é o chamado conflito de interesses financeiro, onde o autor de um artigo científico (ou um palestrante) recebe verba de alguma instituição em empresa farmacêutica para suas pesquisas ou ainda como consultor.

Nestes casos é exigido que ele informe claramente aos leitores de seu artigo (ou aos participantes de uma palestra) os seus potenciais conflitos para que todos possam ler o artigo (ou ouvir sua palestra) sabendo dos mesmos, antecipadamente. Isto é obrigatório nas revistas científicas e em quase todas as associações médicas; no Brasil isto é exigência da ANVISA.

Este procedimento garante que nenhum resultado de pesquisa seja apresentado sem que todos possam considerar a possibilidade destes conflitos financeiros; ou seja: exige que o pesquisador apresente dados com a devida transparência.

O segundo tipo de conflito de interesses é o não-financeiro. Este é também extremamente comum e, infelizmente, a sua informação aos leitores ou ouvintes ainda não é exigida por lei. São exemplos: pertencer a uma determinada escola de psicoterapia ou religião que pregam o tratamento através de suas práticas e não através de medicamentos, cargos políticos ou administrativos (que permitem economizar no tratamento de uma doença caso se considere que ela “não existe” ou que “não é necessário usar medicamentos”, etc.)

Quando você ouve alguém falar que “TDAH é uma doença inventada”, por mais eloquente que seja o autor desta opinião sem qualquer base científica, ou mesmo a sua titulação (a incapacidade e leviandade sempre foram democráticas: também acometem médicos, psicólogos, etc.), pesquise sobre a veracidade (e a origem) do que está sendo dito.

Sempre existiram indivíduos com pouco espírito crítico embora bem intencionados e espertos mal intencionados na história da medicina. Apenas para enfatizar: até bem pouco tempo atrás havia quem bradasse aos quatro cantos que a AIDS não era causada pelo HIV. Outra: que as vacinas para sarampo causavam autismo nas crianças. Ou ainda pior, que condenavam as mães pelo Autismo de seus filhos: chamavam-nas de “mães geladeiras” numa alusão de que era a sua frieza nas relações inicias com seus filhos que criava o autismo na criança!

Os resultados?

Aumento absurdo das mortes por AIDS e de crianças com seqüelas neurológicas irreversíveis por conta de sarampo, uma doença facilmente prevenida. E uma enormidade de mães levianamente culpadas que se viam ainda mais fragilizadas para acolher um(a) filho(a) com uma condição delicada como o autismo. Mediante ao texto acima você tem recursos para acessar fontes realmente seguras e científicas sobre o TDAH. Portanto, dê um basta no discurso vazio! Siga o conselho do poeta Dickens: “não aceite nada pela aparência, só pela evidência”.

No nosso caso, a evidência científica é implacável: o TDAH é um dos transtornos mais bem estudados da medicina e com mais evidências científicas que a maioria dos demais transtornos mentais.

Fonte: www.tdah.org.br

sexta-feira, 25 de maio de 2012

PSICOCIRURGIA PRA TRATAR O TOC


A lobotomia e o eletrochoque, práticas que no século passado eram usadas para tratar doenças mentais, estão sendo atualizadas e ganham novas aplicações, como, por exemplo, o controle do transtorno obsessivo compulsivo, o TOC.

A volta dessas técnicas, que já foram usadas até em tortura, causa polêmica e põe de um lado aqueles que argumentam ser a última chance para pessoas que sofrem de distúrbios graves sem solução com métodos de rotina, e críticos, que afirmam se tratar de opções experimentais que levam pacientes a correrem riscos. Para eles, não há provas da validade dos novos métodos.

Pela primeira vez desde que a lobotomia (retirada parcial ou total de um lobo do cérebro) caiu em descrédito na década de 50, cirurgias para tratar transtornos de comportamento ganham adeptos, mas geram polêmica. Nos EUA, ela gira em torno da operação para tratar o TOC.

Há dois anos, a agência americana que controla drogas e alimentos (a FDA) aprovou essa operação, mas em artigo na revista "Health Affairs" especialistas dizem que isso foi um erro. Segundo eles, a técnica não foi suficientemente testada, nem a sua eficácia a longo prazo nem os seus efeitos colaterais são bem conhecidos.

- Não somos contra a operação, mas queremos vê-la corretamente testada antes de ser indicada - disse o principal autor do artigo, Joseph Fins, chefe de ética médica do hospital NewYork Presbyterian. - Com a herança da psicocirurgia, é importante não deturpar as coisas, dizer que é algo é tratamento quando não é.

Na verdade, a técnica para aliviar o TOC, a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês) é conhecida há décadas, mas só atualmente tem sido mais aplicada. Basicamente é o implante de eletrodos dentro do cérebro para ativar determinadas áreas.

Os autores do artigo na "Health Affairs" citam pelo menos um estudo para ficar com o pé atrás com relação à psicocirurgia. Cientistas suecos observaram que pessoas submetidas a outro tipo de cirurgia para TOC (a capsulotomia, que corta circuito cerebral) apresentavam apatia e dificuldade de autocontrole.

Ainda para os críticos, o interesse comercial é que tem impulsionado o uso da DBS. Mas os médicos que usam o método discordam.

- Os pacientes são capazes de tomar decisões com base em nossa experiência - disse Wayne Goodman, da Escola de Medicina Mount Sinai. - Eu não gostaria de privá-los da opção. Sua vidas têm sido tão destruídas pelo TOC que eles poderiam pensar em suicídio se não existisse a opção cirúrgica.

Segundo defensores das técnicas, seus críticos não têm experiência com TOC.

- Acho que a FDA agiu certo - diz Benjamin Greenberg, da Universidade de Brown. - Dados sobre eficácia da DBS não são exatos, e estamos fazendo estudos mais substanciais.

Para o neurocirurgião Alexandre Castro do Amaral, responsável pelo Ambulatório de Neurocirurgia Funcional e Dor do Hospital dos Servidores do Estado do Rio e professor do Instituto de Pós-graduação Carlos Chagas, parte das críticas a técnicas como a DBS se deve ao fato de remeterem à lobotomia, usada muito tempo por regimes autoritários para torturar e punir inimigos.

- Hoje as técnicas em neurocirurgia não têm relação com a lobotomia, que deixava a pessoa abobada. No caso de TOC e Parkinson a estimulação cerebral profunda, quando bem indicada, pode ser a única opção - diz Amaral. - Já existe protocolo para controlar distúrbios alimentares.

Uma medida para casos extremos

Amaral reforça que a cirurgia para TOC só é aprovada em casos extremos, quando nenhum outro tratamento clínico resolve, e ela deve ter pelo menos o aval do psiquiatra do paciente e um outro, neutro. Quanto ao eletrochoque, a eletroconvulsoterapia para depressão grave, Amaral afirma que ela tem indicação.

- Cerca de 20% dos doentes com depressão não respondem a qualquer tratamento, e 30% vão tentar o suicídio. O eletrochoque não vai curar a depressão, mas o paciente ficará livre das crises por algum tempo e poderá responder melhor aos medicamentos - explica.

O neurocirurgião José Oswaldo de Oliveira Júnior, da Central de Dor do Hospital A.C. Camargo , defende a aplicação da neurocirurgia para transtornos mentais apenas em casos bem selecionados e avaliados por uma equipe multidisciplinar.

- Alguns dos tratamentos em psicocirurgia ainda precisam ser validados, outros estão estabelecidos, como no mal de Parkinson. Já esquizofrênicos, por exemplo, poucos melhoram com a DBS. É preciso analisar com muito cuidado cada situação.

Fonte: jornal O Globo