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quinta-feira, 15 de agosto de 2013
COMO A FONOAUDIOLOGIA PODE AJUDAR NO TRATAMENTO DA ST
O tratamento fonoaudiológico pode ser um grande aliado para os portadores de ST. Estudos relatam que pacientes com Tourette apresentam dificuldades escolares resultantes de alterações na aprendizagem de habilidades de leitura e de escrita, além das alterações de atenção e de concentração mais relacionadas ao TDAH. Provavelmente, há uma disfunção do processo cognitivo da informação.
Segundo pesquisadores, a leitura é uma variação da linguagem oral e, uma vez que estão interligadas, se a primeira estiver comprometida, a segunda também estará Além das dificuldades citadas, pacientes com ST apresentam atraso aritmético e problemas nas habilidades fonológicas, sintáticas e de fala, sobretudo no que diz respeito à fluência.
É interessante notar que familiares desses pacientes apresentam um maior índice de gagueira, um dos primeiros sintomas de Tourette. Assim, técnicas fonoaudiológicas podem contribuir de forma significativa no tratamento das disfluências e no melhor aproveitamento acadêmico.
Fonte: Tiques, cacoetes, síndrome de Tourette, Ana Hounie e Eurípedes Miguel, org.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
CONHECENDO O TRANSTORNO DO COLECIONISMO
Já falamos aqui, por altos, sobre o transtorno obsessivo-compulsivo por colecionismo, do qual, até aquele momento, nunca tínhamos ouvido falar. Então, fomos buscar mais informações. Descobrimos que o colecionismo é o hábito de reunir e armazenar grande número de objetos que podem ou não ser úteis. Isto faz com que essas pessoas encontrem dificuldades para descartar coisas que são inúteis.
Segundo a personal organizer Sandra Brack, nossa fonte para este texto, "não se trata de uma excentricidade ou falha de caráter. Não é preguiça, negligência criminosa ou não entender as responsabilidades da vida. É mais grave e mais dificil de controlar do que imaginamos. De fato, é uma doença neuropsiquiátrica, que pode levar a consequências trágicas.
Infelizmente, no Brasil, não há muitas informações sobre este transtorno. Nos Estados Unidos, uma casa pode ser interditada pelo governo, um pai ou uma mãe podem perder a guarda de seus filhos pela péssima qualidade de vida oferecida a eles, em consequência de um grande acúmulo de objetos e a desordem resultante disso. Basta uma denúncia de um vizinho.
Normalmente, colecionistas compulsivos costumam ter dificuldade para classificar itens, tomar decisões, não se preocupam se os objetos estão à vista, como uma roupa em cima de uma mesa, no chão, limpa ou suja. Isso vai se empilhando aqui e ali, virando com o tempo uma montanha de lixo perigoso.
Como perigoso? Poeira, bolor, mofo e fezes de roedores comumente encontrados em ambientes de desordem extrema podem resultar em alergias, que por sua vez podem causar irritação, dores de cabeça ou problemas respiratórios. Pessoas idosas podem se ferir ao sofrer uma queda no meio de tanta coisa acumulada.
Com o passar dos anos, o acúmulo atinge um nível tal que a sala e, posteriormente, toda a residência, estão cheias de lixo, tornando-se difícil até se locomover no ambiente.
Outro comportamento encontrado é o acúmulo de comida com datas vencidas, em armários ou geladeiras. Mais um perigo. Na linha de raciocínio de um colecionista, esses alimentos podem ser consumidos.
Muitas vezes, os familiares sentem raiva e ressentimento do comportamento aparentemente inexplicável de um colecionista.
A limpeza forçada é muito arriscada. É comum familiares tentarem resolver o problema de forma escondida ou sem permissão do afetado pela síndrome. Mas não se deve fazer isto sem o acompanhamento de um especialista, psicólogo ou psiquiatra que esteja tratando da pessoa envolvida (isto é, caso o portador esteja sendo tratado).
Assim como em qualquer outro transtorno psicológico, colecionistas compulsivos não percebem que sofrem de um transtorno, e acreditam que a acumulação é útil e inofensiva. Por isto, dar ciência a ele de que tem um problema é o primeiro passo."
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
A FISIOTERAPIA COMO AUXILIAR NO TRATAMENTO DA TOURETTE
Do ponto de vista corporal, pacientes com ST apresentam desconforto, dores e lesões musculares e deslocamentos ou dores nas articulações. As bases neurofisiológicas dos tiques crônicos envolvem uma forte atividade nos gânglios da base, no córtex pré-frontal e nas regiões paralímbicas e um aumento de atividade nas regiões motoras corticais, incluindo a área motora suplementar e o córtex pré-motor. Os gânglios da base também são responsáveis pelo controle postural.
Em uma pesquisa sobre problemas de postura em pacientes com ST, pesquisadores sugerem que anomalias desse controle podem estar presentes nesses pacientes. Uma das hipóteses implica a dificuldade na integração sensório-motora, ou seja, dificuldade em corrigir o deslocamento da massa corporal utilizando informações sensoriais. Mais ainda, esses pacientes podem demonstrar a mesma dificuldade em outros contextos, como força excessiva ao pegar objetos, o que sugere um descontrole na habilidade em transformar informações sensoriais em respostas motoras adequadas.
Todo movimento é executado por meio de distensão e retração musculares. A função da fisioterapia é possibilitar que o portador de ST tenha a consciência física dos músculos (propriocepção) que envolvem os tiques motores para que aprenda a controlá-los por meio dos músculos antagônicos.
A fisioterapia também pode auxiliar no tratamento dos tiques vocais mediante controle dos processos respiratórios. Outra vantagem é que proporciona relaxamento dos músculos, amenizando as dores causadas pela sobrecarga muscular causada pelos tiques.
Fonte: Tiques, cacoetes, síndrome de Tourette, Ana Hounie e Eurípedes Miguel, org.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
TRANSTORNO, SÍNDROME, DOENÇA, DISTÚRBIO
Temos falado tanto, aqui no Clic, sobre síndrome, transtorno, doença, mas, afinal, qual a diferença? Você sabe? Nós não. Aí, achamos que seria interessante esclarecer isto. Olhe só:
Síndrome: é definida como um conjunto de sintomas que ocorrem em conjunto ou um conjunto bem determinado de sintomas que não caracterizam uma só doença, mas podem traduzir uma modalidade patogênica.
Transtorno: este não é um termo exato, porém é utilizado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos cujo início ocorre invariavelmente no decorrer da infância, com um comprometimento ou atraso no desenvolvimento de funções relacionadas à maturação biológica do sistema nervoso central, não envolvendo remições e recaídas.
Deve-se considerar ainda que o transtorno não é decorrente de qualquer forma de traumatismo ou doença cerebral adquirida. Origina-se de anormalidades no processo cognitivo que derivam de algum tipo de disfunção biológica.
O termo transtorno revela desarranjo ou desordem neurológica e é usado para evitar termos como doença, caracterizando-se por um conjunto de sintomas sem compromisso com doença, envolvendo sofrimento psíquico e prejuízo do desempenho pessoal.
Doença: caracteriza-se por condição anormal de um organismo que interfere nas funções corporais e está associada a sintomas específicos. É considerada como uma disfunção de um organismo causada por agentes externos ou não ou qualquer condição mórbida ou danosa.
Distúrbio: por definição, é uma uma perturbação, mau funcionamento e interrupção da sequência normal de continuidade, ou mesmo afastamento da norma considerada e está mais vinculada ao sujeito, considerando a existência de comprometimento neurológico. Ainda encontramos distúrbio descrito como sendo uma alteração violenta na ordem natural. Esta alteração é compreendida como sendo no sentido de anormalidade.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
TOC EM CRIANÇAS
Como já mencionamos diversas vezes aqui no blog, o TOC é uma comorbidade da síndrome de Tourette. Mas falamos pouco (porque não há muita literatura médica a respeito) sobre este transtorno em crianças. Confira na tabela abaixo, elaborada pelo site Psiqweb, as principais queixas delas a respeito da doença e o percentual de incidência.
terça-feira, 30 de julho de 2013
DIFERENÇA ENTRE NEUROLOGIA E PSIQUIATRIA
Muitos confundem a área de atuação da neurologia com a da psiquiatria e, não raro, pacientes preferem procurar um neurologista a um psiquiatra na ilusão de que seu problema é mais simples e, portanto, dispensa o psiquiatra, “que cuida de casos mais graves".
O neurologista trata de doenças neurológicas que acometem o cérebro, a medula espinhal e os nervos periféricos, causando prejuízos para a coordenação motora, força muscular, movimentos e sensibilidade do corpo ou cursando com perda da consciência, crises convulsivas, cefaléias, entre outros sintomas. Trata ainda das infecções do sistema nervoso central (meningites, encefalites), dos tumores, das doenças isquêmicas e hemorrágicas (como AVE).
A psiquiatria se encarrega do tratamento das desordens emocionais e do comportamento, que também ocorrem no cérebro, numa área especializada em emoção denominada sistema límbico.
O avanço no campo das neurociências permitiu um melhor entendimento do funcionamento de nossa mente e estreitou sua relação com o restante do cérebro, aproximando a psiquiatria da neurologia. Nesse processo, quem mais avançou sua fronteira foi a psiquiatria, passando a ter uma abordagem mais biológica.
A neuropsiquiatria é o ramo da psiquiatria que procura incorporar conhecimentos da neurologia e tratar doenças neurológicas com manifestações psiquiátricas, como alterações do comportamento, do humor, da percepção e do pensamento.
Fonte: psiquiatra Leonardo Figueiredo Palmeira
quinta-feira, 25 de julho de 2013
UM POUCO SOBRE OBSESSÕES
1 - Obsessão de contaminação, seguida de banhos, ou da higiene das mãos, ou atitudes mais esdrúxulas. O objeto temido é difícil de evitar, como o pensamento sobre urina, fezes, contaminação microbiana, feridas, doenças, sujeira em geral e a compulsão envolve banhos e limpeza. Tais pacientes podem autoproduzir escoriações pela forma exagerada com que se lavam e escravizam-se pelo ritual absolutamente rígido do ato de limpeza. Este é o padrão sintomático mais comum.
2 - A obsessão da dúvida seguida da compulsão para verificação é o segundo tipo mais encontradiço. A obsessão de ter negligenciado a prevenção do perigo, como por exemplo, ter deixado o gás aberto, o ferro de passar ligado, a porta da frente destrancada, a torneira aberta, as gavetas e portas semi-abertas, determina complicados mecanismos de verificação e reverificação, obrigando o paciente a voltar várias vezes ao mesmo local. Diversas são as situações onde o indivíduo obsessivo é incomodado por sentimentos de culpa por ter negligenciado alguma coisa, daí a falsa impressão do perfeccionismo e meticulosidade.
3 - Em terceiro lugar vêm os pensamentos obsessivos meramente invasivos de temática extremamente variável; pensamentos libidinosos e obscenos dirigidos a objetos de veneração e respeito (santos, mãe, crianças, filhos), agressões que o indivíduo considera condenável. Por ter consciência destes pérfidos pensamentos habitando o seu psiquismo, a ansiedade experimentada chega a ser insuportável.
4 - A lentidão obsessiva ou pensamento persistente de criteriosa meticulosidade na execução das atividades corriqueiras transformando cada atividade cotidiana numa verdadeira liturgia de perfeição e ordem. As coisas têm que ser feitas de um ou outro jeito e, na dúvida de terem saído imperfeitas, são meticulosamente repetidas. As tarefas do dia-a-dia tornam-se demasiadamente morosas e de realização extremamente complexa e cansativa.
5 - Colecionismo ou hábito de juntar tranqueiras: chama-se colecionismo a grande dificuldade ou incapacidade de descartar objetos usados e/ou inúteis, mesmo se não tiverem valor sentimental. Trata-se de uma atitude compulsiva, portanto, intimamente relacionada aos transtornos do espectro obsessivo-compulsivo.
Algumas espécies animais têm o colecionismo como mecanismos de sobrevivência, portanto, um comportamento inato. O estudo neurofisiológico desse comportamento favorece hipóteses sobre neurocircuitos dopaminérgicos especificamente relacionados ao colecionismo
Além dos transtornos obsessivos, o colecionismo pode estar presente também em outras patologias, como por exemplo, na demência.
Alguns pesquisadores defendem a ideia de que, em casos específicos, o colecionismo deveria ser considerado uma patologia própria e não um sintoma – seria o chamado colecionismo patológico. Calcula-se que o colecionismo, puro e simples e sem relação com outros sintomas obsessivo-compulsivos, esteja presente em aproximadamente 5% da população.
Fonte: Psiqweb
terça-feira, 23 de julho de 2013
COMPREENDER É O PRIMEIRO PASSO
Em 2006, os psiquiatras Ana Gabriela Hounie (foto) e Eurípedes Miguel lançaram o livro Tiques, Cacoetes, Síndrome de Tourette – Um Manual para Pacientes, seus Familiares, Educadores e Profissionais de Saúde (veja postagem a respeito, em novembro, aqui no blog) com o intuito de ajudar aqueles que convivem com o problema. A seguir, ela fala sobre o problema:
Quando buscar ajuda?
Ana Gabriela Hounie – Ter tique não é problema. Os males ocorrem quando eles são fortes ao ponto de atrapalhar os afazeres e a autoestima. A presença de dores musculares e dificuldade de concentração são sinais de que se precisa de auxílio especializado.
Os tiques duram toda a vida?
Ana – A pior fase tende a ser entre os 10 e 12 anos. Em um terço dos portadores, os sintomas vocais se tornam cada vez mais raros e podem até desaparecer e os motores podem diminuir em número e frequência. A cura ocorre em 30% dos casos, mesmo sem tratamento.
Fisioterapia e fonoaudiologia são bem-vindos?
Ana – Ainda não há estudos que comprovem os benefícios. Na prática, se observa que podem ser proveitosos. A fisioterapia tende a ajudar na tomada de consciência corporal e no controle e alívio das consequências dos tiques, com alongamentos, por exemplo. No caso da fonoaudiologia, técnicas aplicadas no tratamento da gagueira podem funcionar, apesar de serem síndromes distintas.
Como a família pode ajudar no tratamento?
Ana – O primeiro passo é compreender o problema e entender que o paciente não tem os tiques por pura mania. Trata-se de uma alteração fisiológica. Insistir com o paciente para que se controle é o pior método, pois isso o deixa ainda mais ansioso e com surtos ainda mais intensos.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
ENFRENTANDO O BULLYING
Bullying não é um fenômeno recente. Crianças com síndrome de Tourette são especialmente vulneráveis a este tipo de maus tratos. Se não testemunhamos diretamente ou se a criança nega ser uma vítima, não significa que não está acontecendo.
O bullying destroi a autoestima da criança. Ele cria o medo, a ansiedade e uma dor incrível. Ele deixa a criança com cicatrizes emocionais que durarão por toda a vida.
Pais e educadores têm a obrigação de fazer tudo o que podem para parar o bullying. Eles devem tomar todas as medidas possíveis para impedir este tipo de abuso que lentamente vai destruindo vidas.
Abaixo, elencamos algumas maneiras muito específicas ao modo como o assédio moral pode e deve ser abordado por pais e professores:
Pais
- Ouvir o seu filho e olhar para as mudanças no comportamento.
- Ensinar palavras específicas para uso em resposta à provocação.
- Dar ideias sobre como o seu filho pode ficar longe das crianças que estão praticando bullying.
- Manter um registro de datas, horários em que esteve envolvido no bullying.
- Falar com o professor sobre isso. Se nada acontecer, contate o coordenador.
- Informar ao diretor que você espera que isso seja tratado muito severamente.
- Certifique-se que as outras crianças foram ensinadas sobre ST e seus sintomas.
Professores
- Ver e ouvir com atenção o que está acontecendo em sua sala de aula.
- Manter um olhar atento sobre as crianças que são parecem ter problemas sociais, que parecem ser solitárias.
- Discutir essas crianças com pessoal de apoio - orientadores, assistentes sociais, etc .
- Tentar envolver esses jovens em grupos de aconselhamento ou amizade.
- Educar os colegas sobre a Síndrome de Tourette.
- Tornar conhecido que provocações e assédio moral não serão tolerados.
- Incentivar as crianças que estão sendo incomodando a discuti-lo com você.
- Definir um tom de aceitação da criança com ST na sua sala de aula.
Fonte: blog Nossas Vidas com Tourette
terça-feira, 16 de julho de 2013
HIPERFOCO, O LADO BOM DA TDAH
Auber, nosso colaborador, já sofreu em grau relativamente alto de TDAH, "mas sem o H - de hiperatividade -" ressalta, quando mais jovem. Hoje, aos 45 anos, os sintomas praticamente desapareceram, exceto por um detalhe: o hiperfoco.
Ele diz que é comum entre os portadores do transtorno concentrarem-se de tal forma em algo que lhe desperte muita atenção que se é capaz de ignorar o que se passa à volta. Com bastante treinamento de concentração, é possível ativar voluntariamente o chamado hiperfoco para realizar uma atividade importante.
O próprio Auber descreve uma situação que lhe ocorreu há alguns anos, que exemplifica o que é o hiperfoco:
"Gosto muito de ler e, em meu apartamento, o faço preferencialmente na sacada, deitado na rede. Fico horas a fio ali, recostado, entretido com as palavras.
Certa vez, estava lendo um jornal aqui de Porto Alegre e me chamou a atenção um acidente terrível que ocorrera na cidade: um microônibus teve um problema mecânico, numa descida, cruzou para a pista contrária, atingiu de frente um automóvel, bateu em outro, estacionado, e capotou sobre a calçada. Felizmente, ninguém se feriu com gravidade. Mas a coisa toda foi muito grande.
Ao ver o texto, percebi que o acidente acontecera na rua onde moro. Observando os detalhes da foto, vi que tinha ocorrido na frente do meu prédio, bem embaixo da sacada (moro no 5º andar).
Mas o choque mesmo se deu quando vi o horário do acidente: exatamente o mesmo em que eu estava deitado na rede, lendo. A muvuca toda aconteceu a uma centena de metros de mim e eu não percebi coisa alguma!!!"
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