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sexta-feira, 31 de julho de 2015

ÚLTIMAS INFORMAÇÕES A RESPEITO DO PIDOMAG

Não é boa a notícia que temos a trazer. O Laboratório Baldacci, que produzia o Pidomag, enviou correspondência ao questionamento feito pela doutora Ana Hounie a respeito do porquê de haver sumido das farmácias.

De forma sucinta - e, observação nossa, canalha -, foi-lhe informado que a empresa não tem mais interesse comercial em produzir o pidolato de magnésio. Ou seja, devia dar pouco lucro.

Esta é a triste realidade do Brasil. A despeito de amenizar o sofrimento de quem padeça de algum mal que dele dependa, essa empresa, como, de resto, os laboratórios farmacêuticos em geral, decide retirar do mercado seu produto (que não tem genérico) e dane-se quem o utilizava.

A doutora Ana está prescrevendo a seus pacientes outra medicação, o Magnen B6 (glicinato de magnésio + cloridrato de piridoxina), produzido pelo Laboratório Marjan Farma. Apresenta-se na forma de comprimidos. Os resultados têm sido satisfatórios.


quinta-feira, 2 de julho de 2015

MÉDICOS DE PORTO ALEGRE ESPECIALISTAS EM TOURETTE

Temos recebido muitos pedidos de indicação de profissionais com sólidos conhecimentos em síndrome de Tourette em Porto Alegre. Para facilitar, seguem os dois que conhecemos. O Auber, nosso colaborador, já foi paciente de ambos e os recomenda veementemente:

Dr. Carlos Rieder (neurologista) - Fone: (51) 3222-5885

Dr. Ygor Ferrão (psiquiatra) - Fone: (51) 3346-1077

quarta-feira, 27 de maio de 2015

LABORATÓRIO SUSPENDE A PRODUÇÃO DO PIDOMAG

Em 2014, durante 30 dias, o Auber, nosso colaborador, testou, junto com outras “cobaias”, uma medicação chamada Pidomag para o trato dos sintomas da Síndrome de Tourette, a pedido da psiquiatra e pesquisadora Ana Hounie. Os resultados foram excelentes. Tanto que ela passou a prescreve-lo como complemento às medicações tradicionais, com ótima resposta por parte dos pacientes.

Agora, a doutora Ana nos informa que o laboratório Baldacci, responsável pela fabricação do Pidomag, parou de produzi-lo. Tanto ela quanto seus pacientes ficaram indignados e temerosos que os tiques possam voltar a se agravar sem o auxílio da medicação. Ela nos informou que já escreveu para o laboratório questionando-o sobre o porquê da suspensão da produção da droga.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

NOVO ESTUDO PODE RESULTAR EM MAIOR CONTROLE DA TOURETTE

Um grupo de cientistas do Reino Unido acaba de divulgar resultados de uma pesquisa que pode tornar o tratamento da síndrome de Tourette menos agressivo. Eles descobriram níveis altos de um importante neurotransmissor em uma área do cérebro responsável pelos comandos motores. A proposta é utilizar ondas eletromagnéticas para estimular as áreas cerebrais afetadas por esse problema.

“As operações normais do cérebro dependem de um equilíbrio das influências inibidoras e excitatórias nos principais circuitos dele. Pensamos que, na síndrome de Tourette, esse equilíbrio é perturbado dentro de uma área conhecida como estriado, fazendo com que o processamento se torne desorganizado”, explica Stephen Jackson, um dos autores do estudo e professor da Universidade de Nottingham.

Para decifrar como a área do estriado funciona quando há a síndrome, os cientistas utilizaram uma técnica avançada de monitoramento cerebral e compararam os resultados atingidos com voluntários saudáveis e pacientes com Tourette. “Usamos uma técnica chamada de espectroscopia por ressonância magnética, utilizando um escâner para medir a concentração no cérebro de alguns neurotransmissores, substâncias químicas que refletem a atividade desse órgão”, detalha Jackson.

Os cientistas constataram níveis significativamente maiores de ácido gama-aminobutírico (Gaba), um neurotransmissor inibitório do cérebro, na área motora suplementar dos pacientes com Tourette. O Gaba tem como função inibir as atividades motoras do corpo. Caso esteja em maior quantidade, acreditam os pesquisadores, poderia auxiliar a controlar as crises de Tourette.

“O papel dele no cérebro é inibir a atividade neuronal, parar as células, evitando que elas disparem. Se estimulados, poderiam amortecer a hiperexcitabilidade nas áreas corticais do cérebro que produzem o movimento. Ao reduzir a atividade excitatória nesses locais, daríamos às pessoas que sofrem com essa síndrome um maior controle sobre os movimentos voluntários e, consequentemente, menos tiques”, explica Jackson.

Suspeita confirmada

Ana Hounie, psiquiatra especialista na doença e supervisora do Ambulatório de Transtornos do Espectro Obsessivo Compulsivo da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que já existiam suspeitas de que os níveis de Gaba em pacientes com a síndrome pudessem ser irregulares. O trabalho dos pesquisadores do Reino Unido, segundo ela, traz mais dados que reforçam essa hipótese e também podem explicar a melhora apresentada por alguns pacientes quando envelhecem.

“Com esse estudo, podemos trabalhar com uma teoria de que, à medida que você envelhece, os níveis de Gaba aumentam e, por conta disso, esses tiques diminuem”, diz Hounie. “O Tourette não tem cura determinada, mas, quando ela ocorre, em um terço dos casos, acontece de forma espontânea e na vida adulta. Acreditamos que isso ocorre pelo amadurecimento do sistema neurológico.”

Segundo Jackson, um dos grandes ganhos do trabalho está justamente na possibilidade de oferecer intervenções menos agressivas para quem não se livra do distúrbio. “Novas técnicas, como a estimulação craniana, poderão ser utilizadas para aumentar ou diminuir a quantidade de Gaba em áreas específicas do córtex. Talvez, o uso delas poderia ajudar também os jovens com essa doença a ter mais controle sobre seus tiques”, cogita o autor do trabalho.

A neurologista Cláudia Barata Ribeiro, do Hospital Santa Lúcia, conta que as técnicas de estimulação cranianas têm sido muito utilizadas para outros problemas neurais, como o mal de Parkinson e a depressão. “Até têm sido cogitadas para tratamentos de distúrbios alimentares”, complementa. “Descobrimos que estimular determinadas partes do cérebro com intervenções magnéticas podem auxiliar no tratamento dessas doenças e, como mostra esse trabalho do Reino Unido, talvez o Tourette possa também ser beneficiado com isso.”

Ribeiro acredita que a terapia proposta no estudo divulgado na Current biology carrega vantagens quanto aos medicamentos “Os remédios que estão disponíveis para serem utilizados contra o Tourette podem acabar influenciando a espontaneidade dos pacientes. Se tivermos tratamentos que não provoquem efeitos colaterais, ganharemos muito”, acrescenta.

Novos medicamentos

A psiquiatra Ana Hounie ressalta que os achados da pesquisa britânica podem também contribuir para a criação de remédios que sejam mais específicos para o tratamento da síndrome. “Acho importante descobrir medicamentos eficazes para o tratamento da doença, já que 90% das pessoas tratadas dessa forma sofrem efeitos colaterais, além do fato de as drogas atuais serem caras. É possível que, sabendo agora dessa alteração de Gaba, futuramente, possamos ter mais drogas com menos efeitos colaterais”, cogita.

Jackson acredita que os resultados do estudo do qual faz parte possam ainda auxiliar na compreensão de outros problemas de saúde neurológicos que também têm como característica o desequilíbrio em substâncias que excitam e inibem regiões do cérebro. Ele adianta que o próximo passo da equipe será analisar distúrbios ligados à hiperatividade. “Daremos foco no transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e no autismo, problemas semelhantes à síndrome de Tourette.”

Fonte: Estado de Minas

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

SAIBA O QUE SÃO TIQUES TRANSITÓRIOS

Não existe uma causa conhecida para o transtorno do tique transitório. Como a síndrome de Tourette e outros transtornos de tiques, esses problemas são influenciados por vários fatores.

Algumas pesquisas indicam que os transtornos de tiques possam ser herdados. De acordo com a Mayo Clinic, uma mutação genética foi identificada como causa da síndrome de Tourette em casos raros.

Anomalias no cérebro também podem ser responsáveis por transtornos de tique. Essas anomalias são a causa de outros problemas mentais como depressão e déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Algumas pesquisas sugerem que o transtorno do tique transitório pode estar associado a neurotransmissores. Neurotransmissores são substâncias químicas do cérebro que transmitem sinais nervosos para as células do corpo.

No entanto, nenhum estudo forneceu provas concretas do envolvimento dos neurotransmissores. Os medicamentos para tratamento do transtorno do tique transitório são destinados a alterar os níveis de neurotransmissores.

O transtorno do tique transitório geralmente desaparece sem tratamento em crianças. Os familiares e professores não devem chamar a atenção da criança por causa dos tiques. Isso pode deixar a criança mais nervosa e agravar os sintomas.

Uma combinação de terapia e medicamentos pode ajudar em casos nos quais os tiques estiverem atrapalhando no trabalho ou na escola. Como o estresse pode piorar os tiques ou torna-los mais frequente, é importante usar técnicas para controlar o estresse.

A terapia cognitivo-comportamental também é uma forma útil de tratar transtornos de tiques. Durante essas sessões da terapia, o paciente aprenderá a evitar comportamentos autodestrutivos por meio do controle de suas emoções, comportamentos e pensamentos.

Medicamentos não podem curar os tiques completamente, mas podem aliviar os sintomas para algumas pessoas. O médico poderá prescrever um medicamento para reduzir o nível de dopamina no cérebro do paciente como flufenazina, haloperidol ou pimozida. A dopamina é um neurotransmissor que pode estar associada aos tiques.

O médico também poderá tratar os tiques do paciente com antidepressivos. Essas drogas ajudam no tratamento da ansiedade, tristeza, ou transtorno obsessivo-compulsivo e podem ajudar com as complicações do problema do paciente.

Fonte: Healthline

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

GRUPO DE FAMILIARES E PORTADORES DE ST DO RS NO FACEBOOK

O Auber, editor do Clic, criou um grupo no Facebook para reunir o maior número possível de familiares e portadores de Tourette que residam no Rio Grande do Sul. O objetivo é, juntos, sensibilizar a equipe de neurologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre a criar um trabalho presencial de apoio. Atualmente, apenas portadores de TOC contam com esse serviço, gratuito.

O endereço para acessar o grupo no Facebook é https://www.facebook.com/groups/touretters/

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DEPOIMENTO ESPONTÂNEO DE UM LEITOR DO CLIC

Recebemos e-mail de um leitor do Clic com uma notícia que nos deixou muito felizes: a superação de seus tiques. Ele nos conta que buscou uma terapia alternativa, da qual não temos conhecimento, mas vamos procurar mais informações a respeito. Assim que tivermos algo a dizer, compartilharemos com vocês, ok?

Aqui está a mensagem. Por respeito a ele, omitiremos sua identificação:

Meu nome é xxxxx e por muito tempo li o seu blog calado.

Entretanto, de acordo com os acontecimentos recentes em minha vida decidi lhe enviar um e-mail com uma ótima notícia.

Tenho atualmente 23 anos de idade, sendo que com 7 anos comecei a perceber, com a ajuda de minha família, que eu possuía "tiques nervosos".

Inicialmente não procurei ajuda, isso porque meus tiques não me incomodavam tanto.

Quando completei 18 anos e iniciei minha primeira faculdade as coisas mudaram.

A Síndrome tornou-se a pior coisa da minha vida, de maneira que fui atrás de ajuda médica.

Comecei com um Neurologista, o qual somente me receitava medicamentos e pouco conversava comigo. Eu sentia que precisava conversar com algum especialista, de modo que procurei um Psiquiatra. O Psiquiatra também me receitava medicamentos, mas conversava um pouco mais comigo. Eu não parei por aí: procurei uma psicóloga e iniciei terapia com ela, a qual sigo até hoje.

Porém fui ainda mais fundo.. procurei um Parapsicólogo e comecei a fazer sessões de relaxamento e induções psíquicas com o profissional.

​Resultado: estou há 1 mês sem ter tiques nervosos!

Sinto-me ótimo e superdisposto para as atividades cotidianas.

sábado, 2 de agosto de 2014

ATRIZ NORTE-AMERICANA ADMITE SER PORTADORA DE ST


Recentemente, a atriz americana Sienna Miller disse que sofre de um leve caso de síndrome de Tourette. Ela admitiu que não consegue deixar de falar coisas que se arrepende depois, inclusive xingamentos e insultos.

Dentre seus recentes deslizes, Sienna chamou a cidade de Pittsburgh de Shitsburgh e disse que tomar drogas é divertido. Ela tentou explicar seu comportamento ao jornal The Sun:

"Estas coisas simplesmente saem da minha boca, mas não tenho a intenção de ferir ninguém. Acho que sofro de uma leve síndrome de Tourette ou coisa parecida".

segunda-feira, 23 de junho de 2014

GOLEIRO DA SELEÇÃO DOS EUA DE FUTEBOL TEM TOURETTE


Tim Howard, 35 anos, é o goleiro titular da Seleção dos Estados Unidos de futebol. Ele sofre de síndrome de Tourette desde os nove anos. A doença nunca o impediu de realizar seus sonhos ou de ter uma vida normal, como revela nesta entrevista ao site alemão Der Spiegel:

Spiegel: Sr. Howard, o que distingue um goleiro com a síndrome de Tourette de um goleiro sem?

Howard: Durante o treinamento e durante um jogo, eu posso desenvolver uma contração pronunciada em um dos meus braços ou o pescoço ou um dos meus olhos. É geralmente muito repentino. Às vezes eu começo a tossir ou contraio os músculos.

Spiegel: Na medicina, distúrbios comportamentais ou emocionais desse tipo são chamados de tiques. Quantas vezes você tem tiques durante um jogo?

Howard: Eu nunca contei. Isso acontece o tempo todo, sem qualquer aviso, e aumenta quanto mais perto um jogo importante. Isso sempre ocorre mais quando estou particularmente nervoso.

Spiegel: Como o seu corpo responde quando você está nervoso?

Howard: Torna-se mais tenso do que o habitual, os músculos contraem com mais frequência, e eu faço os movimentos apressados ​​com mais frequência. Mas isso é uma coisa boa porque quando isso acontece eu sei: agora importa, agora eu tenho que me recompor.

Spiegel: Como um goleiro, você dificilmente pode se dar ao luxo de cometer erros. O que você faz se o seu braço se contorce incontrolavelmente durante um jogo?

Howard: Enquanto o jogo não está acontecendo bem na frente do meu nariz, mas em algum lugar no meio-campo, eu deixo se contorcer. Eu não tento suprimi-lo, também.

Spiegel: E se a bola chega perto de você?

Howard: Então eu sou tudo o que existe. É estranho. Assim que as coisas ficam sérias na frente do gol, eu não tenho quaisquer contrações musculares; meus músculos me obedecem.

Spiegel: Como você faz isso?

Howard: Eu não tenho idéia. Nem mesmo os médicos podem explicar-me. Provavelmente é porque naquele momento a minha concentração no jogo é mais forte do que a síndrome de Tourette.

Spiegel: Será que uma bola nunca saiu de suas mãos por causa de um tique?

Howard: Eu abandonei um número de bolas durante a minha carreira. Mas nunca foi por causa de um tique.

Spiegel: Você se preocupa que isso poderia acontecer um dia?

Howard: Não vai.

Spiegel: O aspecto mais conhecido, para os leigos, e mais intrigante da síndrome de Tourette, é a forma como ele faz com que as pessoas afetadas por ela podem xingar incontrolavelmente. Isso acontece com você também?

Howard: Felizmente não. Meu único tique vocal é que eu de vez em quando tenho uma tosse forte. Eu nunca deixei um palavrão sair.

Spiegel: Você cresceu com sua mãe. Quando ela percebeu que você tinha um transtorno neuropsiquiátrico?

Howard: Eu tinha uns 10 anos na época e trouxe bolsos cheios de pedras. Eu sempre dispus meus brinquedos em uma ordem específica, também, ou contava as linhas em uma folha de papel.

Spiegel: Como sua mãe reagiu a esse comportamento compulsivo?

Howard: Ela leu sobre o assunto e então ela me levou a um psiquiatra. Ela queria saber o que poderia ser feito contra a síndrome de Tourette.

Spiegel: O que o médico recomendou?

Howard: Ele queria me receitar um medicamento. Mas as drogas estavam fora de questão para nós porque havia o perigo de que eles irem massiçamente para minha mente.

Spiegel: Houve alguma alternativa?

Howard: Por um tempo nós tentamos café, que é suposto ter um efeito calmante, embora o café estimule ainda mais. O efeito foi nulo e como uma criança eu achei o gosto revoltante. O que mais me ajudou foi meditando.

Spiegel: O que faz uma criança na sexta série meditar?

Howard: Não era a meditação no sentido clássico, mais uma questão de fechar os olhos e olhar para mim mesmo. Minha mãe sempre me enviou para o exterior para jogar porque ela sabia que me fazia bem. Eu não podia ficar parado por muito tempo de qualquer maneira.

Spiegel: Como você conseguiu na escola?

Howard: Isso foi um verdadeiro desafio. Ao contrário de hoje, eu achei incrivelmente difícil me concentrar e ouvir por um longo tempo. Eu ficava mexendo. Mas a maioria dos meus professores sabia como lidar com isso. Eu era o único aluno que teve permissão para se levantar e caminhar ao redor durante as aulas quando ficava inquieto.

Spiegel: Uma característica que acompanha a síndrome de Tourette é que a pessoa afetada tem reações extraordinariamente rápidas. Isso foi uma das razões por que você começou a jogar basquete e futebol na escola?

Howard: Não, não foi. Foi quando eu tinha 18 ou 19 anos que eu percebi que era mais rápido do que os outros quando se tratava
de certos movimentos, e que esses reflexos estavam ligados à minha desordem. Até então eu já estava jogando para a equipe nacional dos EUA sub-17 de futebol.

Spiegel: Depois de ter assinado com o Manchester United, em 2003, a mídia britânica o  descreveu como "deficiente" e o chamou o "goleiro maldição." Como você lidou com isso?

Howard: Isso não me incomoda. Estes títulos foram escritos por pessoas que não tinham nenhuma idéia sobre a síndrome de Tourette. Eles não sabiam que eu não sou nem deficiente, nem amaldiçoado. Mas as pessoas sem instrução têm o hábito de fazer afirmações não qualificadas. Eu tenho que viver com isso.

Spiegel: Seus companheiros de time ou o treinador, Alex Ferguson, saíram em sua defesa?

Howard: Eu não preciso de qualquer apoio moral ou qualquer piedade hoje. Pelo contrário. Eu disse a eles que não devem dar qualquer resposta para a imprensa.

Spiegel: O senhor poderia ter tomado medidas legais para defender-se.

Howard: Minha defesa foi não dizer qualquer coisa e não me expor. Eu ignorei e isso foi o fim de tudo.

Spiegel: Como o treinador Alex Ferguson lida com a sua doença?

Howard: Ele nunca perguntou nada. Ele sabia que eu tinha crescido com ela. O mesmo eu digo de David Moyes, o meu atual treinador no Everton FC. Ele nunca se importou com os movimentos estranhos que eu faço de vez em quando. O que importava para ele era que eu segurava a bola.

Spiegel: Você tem sido o principal goleiro do Everton FC desde 2007 Os seus companheiros de equipe, por vezes, debocham por causa de seus tiques?

Howard: É claro que eles se divertem. Mas tudo bem porque eu sou amigo de pessoas como Jan Mucha ou Leighton Baines. A coisa boa é que os caras também têm suas peculiaridades, então eu também eu posso zombar deles.

Spiegel: Antes de vir para a Inglaterra, você jogou nos EUA. Isso foi diferente para você?

Howard: A questão é mais amplamente aceita na sociedade dos EUA do que na Inglaterra. Mas desde que entrei para Everton algo está mudando também. Agora os professores aproximam-se e querem falar comigo e continuar a estudar a doença.

Spiegel: A síndrome de Tourette afeta sua vida cotidiana?

Howard: Não. Eu cozinho, como e durmo como qualquer outra pessoa, só que eu tenho tiques no meio. Mas esses são parte da vida para mim, como inspirar e expirar.

Spiegel: O que é mais importante para você: o fato de você ter aprendido a controlar a sua síndrome ou o fato de você ter feito isso como um goleiro da Equipe Nacional dos EUA, apesar de sua doença?

Howard: Sinto muito orgulho. Mas a conquista maior é certamente o fato de que eu não me permito ser restringido pela síndrome de Tourette, que continuou ao longo de minha trajetória no futebol.

Spiegel: Apenas 2 por cento das pessoas em todo o mundo vivem com esta doença. O percentual na prática de esportes profissionais é ainda menor. Você às vezes sente que está sendo reduzido a sua síndrome de Tourette, apesar de seu sucesso como um atleta?

Howard: Não, não mesmo. Eu me vejo como um exemplo positivo de que a síndrome de Tourette não tem de ser uma doença. É apenas uma condição, que ainda permite que qualquer pessoa para realize seus sonhos.